Oi, Filhota…

Você, que sempre esteve comigo desde que comecei a escrever,
sabe que eu prefiro quando as emoções ainda estão afloradas, assim
os sentimentos vêm junto com as palavras, as frases… E você também
sabe que eu gosto de escrever de noite e madrugada, que é quando eu
tenho a inspiração e silêncio maiores.

E eu acho que será um dos textos desabafo mais longos, doloridos e
intensos que já escrevi.

E hoje vou escrever para, por e com você. Se eu esquecer alguma passagem
importante desses 15 curtos anos, me lembre, por favor. E você também sabe
que eu preciso colocar para fora essa dor imensa, intensa, dilacerante
e corrosiva que tem nos consumindo.

Aliás, é algo que tenho feito nessas quase 48 horas sem você.
Lembrar de nossas vidas. São flashes de passagens, acontecimentos, das
vezes em que você quebrou as barreiras de quem “jurava” não gostar de
cachorros. A gente já fala disso, seu motivo pessoal de orgulho.

Hoje senti seu cheiro no carro. Mesmo o pessoal da concessionária tendo
lavado e perfumado. E também não era o cheiro do perfume que a
tia Kátia passava em você. Era seu cheiro.

Por falar nisso, sua tia ficava inconformada por você não gostar de lacinhos
na cabeça ou nas orelhas.
Mas eu via você deitar a cabeça no chão, passar as patinhas na cabeça, tentando
tirar, e me olhar com esses olhos “pidões” implorando: “tira, mãe!”. E eu tirava.
Tirava, não, cortava o elástico. Para não te machucar.

Estava me lembrando que seu nome já “causou” duas vezes: uma foi de um camarada
que trabalhava comigo. Lembra??? Ele caiu na besteira de dizer, umas 3 vezes,
para a doida da sua mãe, que eu tinha colocado o nome da filha dele na minha
“cachorra”. Se calou quando eu, já fula da vida, perguntei a ele a idade da filha.
1 ano.
Vibrei!!!
Só o olhei com a maior calma do mundo e respondi: a Rebecca tem 3 anos. VOCÊ colocou
o nome da minha “cachorra” em sua filha. Bingo!!!
A outra foi com uma faxineira que colocou o seu nome em sua filha. Foi demitida assim
que vi a mancha roxa em sua cabeça, possivelmente uma vassourada.

Mas seu nome sempre foi minha piada favorita. Lembra??? Ter que chamar a RebeCCa com
os dois “C”. Com um “C” só você não atenderia.

(Estou escrevendo e seu cheiro veio até mim, de novo).

E eu olho para o chão enquanto me arrasto pela casa. Para não tropeçar em
você. Talvez eu não perca nunca esse costume. Acho que não quero…

Falando em se arrastar, seu irmão está inconsolável.
Como ele está sofrendo, Maria Rebecca!
Dia 3/11, dia do seu aniversário de 15 anos, ele não dançou valsa com você.
E você fez questão de estar nos braços dele quando foi embora, porque eu sei
que você estava nos braços da pessoa que mais amou. Você lembra que tentamos
poupá-lo quando seu avô se foi. Ele era pequeno, ainda, para enfrentar a morte. Mas
eu não consegui com que ele fosse “blindado” de sua súbita partida.
E ele está “acusando” isso. O sofrimento dele tem me quebrado. Cada vez que ele
derruba uma lágrima eu sinto meu coração fazendo uma nova trinca.
A gente tem conversado bastante sobre você nessas quase 48 horas.
Pode guardar seus ciúmes infundados, porque precisamos passar por todas as
datas importantes que dividimos com você, até dia 21/11/2019.
A partir daí poderemos respirar.
Talvez, depois das nossas férias em 2020, a gente pense em ter outra filhota.
Mas a gente sabe que ela nunca será você. Nem como você.
Por isso precisamos desse tempo, porque você foi, é e será, para sempre,
insubstituível.
Porque ela pode não gostar de pipoca do jeito que você ama. Nem da batata frita. Bife.
Miolo de pão. Asinha de frango. Borda de pizza…
Eiii, Barrigão! Você era minha parça na hora de comer.
A Gordinha e seus olhos pidões novamente!!!

E hoje, quinta, um dia antes do banho com a tia Kátia, seria o dia de eu usar mais um
de seus inúmeros apelidos (espalhados pelo texto): Paninho de chão.
Branquela desse jeito, bastava dar dois passos e pronto! Brancura zero!

Lembra que lá em cima eu disse que você tinha quebrado barreiras com quem
jurava que não gostava de cachorros??? Então…
Sua avó tem sofrido muito. Essa sua mania de dormir no quarto dela lhe deu uma presença constante a acolhedora. Da mesma forma que você rodava, rodava e rodava até deitar bem em cima dos chinelos dela. Ela amava. Mas está sofrendo…
E eu lembrei de duas ocasiões com seu avô: flagrá-lo ninando você, feito Bebê (igual ao seu outro apelido) e dormindo no sofá com você aninhada na barriga dele. Inesquecível e
absolutamente cativante. Como você sempre soube ser.

Vou contar um segredo: a blusa de moletom cinza escuro da Margareth, sua doutora, ficou
salpicado de grossas lágrimas, que caíram delicada e silenciosamente de seus olhos ontem.
Mas eu acho que ela guarda um segredo ainda maior: lembra que você ficava no hotelzinho?
Então… Ela nega até hoje, mas eu acho que ela te levava para a casa dela, só para você
ficar mais pertinho e bem cuidada.

Tem outra coisa que preciso te falar, minha Florzinha de maracujá… Eu estou doando as
suas coisas para outros dogs. Não pense que quero me desfazer de você, mas há outros,
Pequenina, que não tiveram a mesma sorte que você, de ter um lar e ser tão amada!
E eu mudei a ordem de alguns móveis. Não consigo sentar no mesmo lugar para comer sabendo
que você não vai surgir de debaixo da mesa para dividirmos a comida. Não fica brava, por favor,
mas eu tinha comprado duas alcachofras para comermos, mas aí você se foi e eu as dei para
a Márcia. Não consigo comer sozinha.

Filha… Não importa que você é de outra cor, raça. Eu quis muito você em nossas vidas.
Quis muito que o Léo tivesse toda a sua dedicação, seu amor, sua idolatria.
E, tenha a certeza, de que você é muito amada. Vamos sempre lembrar das brincadeiras de esconde-esconde, de
bobinha com a bolinha ou seu leão de pano.

Te amo, Filhotica. Sempre e muito.



Depois de passar 12 dias na tão famosa ilha de Fidel (e hospedada em casa de moradores, e não em hotéis “chiques”), acho que podemos desmistificar algumas lendas e mentiras que tantos gostam de propagar pela Internet sem nem saber ao certo onde fica o país.

Leia com o coração e mente abertos. Esqueça o preconceito e, se for racista, acho que o texto não será muito interessante a você.

Após a revolução, que destituiu o ditador militar Fulgencio Batista (aliás, período onde vários países latino-americanos foram massacrados pela ditatura militar) Fidel declarou Cuba livre. Fidel construiu um grande país, paulatinamente e com empenho. Mas (de boa… Não sou fã dos EUA e sua política “nós somos os melhores do mundo e o resto é só um monte de m…da”) os Estados Unidos, ao impor os embargos comerciais (e políticos, não é??) à ilha, todo o trabalho de educação, fortemente defendido por Fidel e Guevara, foi implodido pela necessidade de alimentar a família.
Não bastasse José Marti conseguir a liberdade da ilha sob o comando da Espanha, Fidel e seus aliados lutaram para libertar o país do julgo militar e tinham sonhos de grandeza para a nação e desenvolvimento do país.

Mas os EUA barraram…

Hoje, a ilha possui um grande investimento educacional. Todos estudam. Escolas e universidades gratuitas.

A saúde também recebe grande investimento. Vimos um complexo de hospitais dedicados à cardiologia que espanta pelo tamanho, prédios… E todos têm acesso.

Mas não são somente flores sob o patriarcado de Fidel… Graças ao embargo comercial – que Obama estava sinalizando como extinto e o palhaço atual derrubou – Cuba ficou limitada ao que poderia produzir e o que poderia receber de países (geralmente Rússia) para alavancar a agricultura, pecuária e indústrias.

O que temos hoje são profissionais graduados e que não podem exercer a profissão por falta de mercado interno ou pior: os baixos salários.

As casas são doadas pelo governo. Aos moradores cabe uma pequena mensalidade e a manutenção. Mas isso fica difícil para uma família que, muitas vezes, recebe salários em torno de US$ 30.00. Por isso muitos imóveis estão em precário estado de manutenção, muitos deteriorando por falta de investimento.

Me perguntaram no Facebook se andei pelos locais “não turísticos”. Bom… Eu “morei” em dois bairros não turísticos – Boca de Camarioca (em Matanzas, perto de Varadero) e em Vedado, Havana – e caminhei por outros tantos. Ninguém, NINGUÉM tentou me assaltar. Há sempre um golpistazinho aqui e ali, mas são poucos e identificáveis.

Caminhávamos tranquilamente até um restaurante para jantar em ruas pouco iluminadas, mas a segurança é total.

O povo é educado – alguns são marrentos e não te atendem bem (leia-se péssimo atendimento, principalmente do rapaz da loja de café na Plaza Vieja, em Habana Vieja), mas onde é que não existem os chatos e preguiçosos?? – solícito e sorridente. E são totalmente misturados. Negros, brancos, mulatos… Andar em Cuba é como andar no Brasil. Ali o racismo, se existe, é muito, muito, muito restrito e silencioso. Há uma convivência pacífica e sem ofensas por causa de cor ou raça. Assim como é com a religião. Há igrejas católicas, templos, mesquitas e muitas mães e pais de santos (sim, o povo negro levou a umbanda à Cuba) andam calmamente pelas ruas, com suas roupas brancas e guias no pescoço. O país luta contra homofobia e violência à mulher. Vários cartazes e outdoors populam as ruas lutando contra essas aberrações.

A comida é também muito parecida com a nossa, menos na carne de “res” (boi). Há muito pollo (frango), cerdo (porco), camarones, lagostas e pescados. A pecuária bovina é pouco difundida, pois é necessário um grande pasto. Como a ilha não é grande e tem uma topografia complicada é mais fácil plantar que cuidar de gado. Aliás, piña é a fruta da ilha, assim como a “fruta boba” (mamão papaya e o nosso “formosa”), banana, laranja… Há tomate, cebola, feijão preto, arroz, yuca (mandioca), alface para as ensaladas… Você come muito bem pagando pouco. Um prato com camarão, arroz “blanco”, papas (batatas) fritas ou yuca e salada vai te custar uns 7, 8 CUC (Peso cubano conversível, equiparado ao valor do dólar americano).

Ahhhh… O rum! O rum é um dos carros chefes da ilha, assim como a deliciosa cerveja Bucanero e os famosos charutos e café. Com rum você faz Piña Colada, Daiquiri (por favor! Tomar no La Floridita, ao lado da estátua de Ernest Hamingway), a Cuba Libre e o Mojito (que PRECISA ser tomado no La Bodeguita del Medio!).
Caminhe pelo Melécon, a grande calçada à beira-mar, com uns 7 km de extensão, passeie pela Calle O Bispo, conheça o Capitólio, ande calmamente por Habana Vieja, conheça a Câmara Oscura, na Plaza Vieja… Assista ao “canhonaço” na Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Ocorre todas as noites, pontualmente às 21hs, quando um tiro de canhão é disparado frente aos turistas. Não perca os shows. Assista a uma partida de basebol, esporte amado no país. Mas você certamente encontrará garotos jogando futebol em campinhos ou na rua, mesmo. Aliás, na rua em que ficamos a tarde de sábado é de uso da garotada. Futebol, basebol, patins, skate… Criança brincando na rua é raro aqui, não???
As praças com wi-fi são uma atração à parte: são onde os cubanos podem ter acesso mais livre à Internet. Conversamos com dois cariocas que nos acompanharam até o La Floridita que acham que o problema maior em Cuba é o uso de satélites (poucos) para a conexão.

Mas a pergunta que martelou dias em minha cabeça foi feita por um dos assistentes de nossa hostal: “você moraria em Cuba?”.
Então…
Só há uma forma de eu morar na ilha: se eu contrair matrimônio com um cubano. E essa palavra me causa diversos efeitos alérgicos!
Fora a brincadeira, eu respondi com verdade: não. Não conseguiria abrir mão do que eu tenho hoje, minha casa, meus filmes amados, um bom churrasco, hipermercados, um venenoso hambúrguer do BK, um bom yakissoba, linguiça toscana, presuntinho fatiado, queijo parmesão e mussarela (já disse que me recuso a escrever com ‘ç’!!). O que me assustou um pouco foram as prateleiras de mercados. Sempre vazias… Não sei se eu, que só frequentei mercado de bairro, perdi algum maior ou se não há mesmo isso na ilha.

De qualquer forma, a viagem foi muito boa! Os cubanos estão no inverno, marcados por um vento constante (onde a energia eólica seria muito bem vinda), uma temperatura muito agradável (até um friozinho bem vindo!) o que nos deixou aproveitar bem os passeios. Os moradores dizem que o verão é bem complicado: sem uma brisa, com temperaturas altas e ar irrespirável.

Se eu voltaria?? Com toda a certeza do mundo! Cuba te recebe com os braços abertos. E, se for se hospedar em casa de algum morador, seja simpático e leve um “regalo” (um presente). Pergunte o que gostaria de receber, pois muitas coisas não chegam a Cuba. E divirta-se.

Caso seja meu amigo no Facebook aproveite para olhar o álbum de fotos com Boca de Camarioca, Varadero e Havana.

® TEXTO REGISTRADO. PROIBIDA REPRODUÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO. SUJEITO ÀS PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 9.610/98 DE DIREITOS AUTORAIS.
PLÁGIO É CRIME! E OS TEXTOS CONSTANTES NA INTERNET POSSUEM UM AUTOR. PENSE NISSO ANTES DE USAR O COPIAR/COLAR.





Não se renda

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"A vontade pode e deve ser um motivo de orgulho superior ao talento." Balzac

"Quem atinge o seu ideal, ultrapassa-o precisamente por isso." Friedrich Nietzsche

"O homem sensato adapta-se ao mundo. O homem insensato insiste em tentar adaptar o mundo a si. Sendo assim, qualquer progresso depende do homem insensato." Bernard Shaw

"Todos os nossos sonhos podem se realizar, se tivermos a coragem de persegui-los." Walt Disney